Fechado para Balanço.
E reflexão.
Nos vemos em breve, na próxima desgraça.
Por ora, nada a reclamar.
O Espelho.
Acorda, rasteja até o banheiro para lavar da face a sujeira do dia anterior.
Apoiado no balcão com os cotovelos, curva-se perante o espelho.
Um artigo singular, dotado da singular característica do reflexo..
Ele reflete, e não é culpado.
Com o espelho, aprendemos importantes lições sobre a vida.
Olhe-o com raiva, ele nos retribuirá de igual maneira.
Trate-o bem, mantenha-o sempre limpo e ele brilhará.
Quebre-o, e o espelho nunca mais será o mesmo.
Porém não é o fim do mundo.
Nem tudo está perdido..
Sete anos de azar?
Não..
É só comprar outro.
“Olhe no Espelho
Viu seu Rosto?
Olhe no Espelho
Não reconhece esses seus olhos?
Viu as Lágrimas
negras como a Noite?
Ouviu a voz?
Ouviu como ela ri?
É a Máscara,
a Máscara que você veste
e os Sentimentos,
Sentimentos que você não entende.
Vença a Dor
A Dor que em você se prendeu
Vença o Medo
O Medo que a você tanto atormentou”
–”Der Spiegel, Blutengel“
Fogo e Água.
Afinal, quando um não quer, dois não podem.
Desisto.
Não de ama-la. Não é algo que eu possa sacudir a cabeça e esquecer. Deixar de lado, escolher não sentir.
Mas desisto, por ela, de tentar convencê-la do valor disso. É difícil aceitar, mas se sou eu o otário que atrapalha seu sono.. Por favor, continue a vida sem mim. Vá em frente, tente ser feliz.. Se um dia tuas certezas falharem, eu ainda estarei aqui. Talvez namorando. Talvez casado. Nada que não se possa voltar atrás…
Até lá, eu preciso jurar para mim mesmo em algo maior que palavras ao vento: Virarei um fantasma. Nenhuma declaração. Nenhuma mensagem escondida. Nenhuma lágrima na tua frente..
“Feuer und Wasser kommt nicht zusammen
Kann man nicht binden, sind nicht verwandt.
In Funken versunken steh ich in flammen..
Und bin im Wasser verbrannt,
Im Wasser verbrannt.”
–”Feuer & Wasser, Rammstein”
Esperança.
Gostaria de acordar e dizer: “Que belo dia.”. Ir deitar sem peso na consciência, sem o familiar sentimento de arrependimento — arrependido por ter passado mais um dia sem ela. Por ter levado adiante esta existência sem moral ou sentido, sem ela. Sem sua presença, sou incompleto.. Um conjunto bizarro de carne, ossos e, quem sabe, uma alma injuriada. Minha bagagem? Muita esperança. A crença de que a miséria, agonia e sofrimento um dia me levarão a um mundo onde vivemos juntos.
Apenas mais dois anos e meio, e estarei formado. Aí, estaremos mais próximos.. Haverá ainda chance? Eu, como Deus, não jogo dados ou acredito em coincidências.
Annabel Lee.
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.
For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.
–Edgar Allan Poe
Ela.
Fui vê-la este fim-de-semana. Já sem sentimento algum torturando meu coração, saí da sala de desembarques e procurei por ela. Lá estava.. Deslumbrante. Seus negros cabelos densos serperteavam por volta de seus ombros frágeis até o meio de suas costas. Seus olhos castanhos brilhavam ao reflexo de alguma fonte de luz sobrenatural, a final a luz ambiente era fraca. Luz esta que iluminava toda sua face, destacando seus traços que desafiam a perfeição entre tantos outros ao seu redor.
Aproximei-me, e beijei algo próximo ao canto de seus lábios. Seus lábios sim, que falo sem medo: Perfeitos.
– Olá. Quanto tempo..
– Oi! É verdade.. Tudo bem?
– Tudo tri. O vôo tava tranqüilo, até. E contigo?
– Tudo bem também.
Cumprimentei a mãe dela. Foi breve. Depois, começamos a andar pelo aeroporto, até o carro. A mala não pesava mais, mas eu não conseguia olha-la nos olhos por muito tempo. Quem dera pudesse agarra-la, ali mesmo. Após um tempo, chegamos na casa. Ao menos do peso físico eu me livrei. Não sabia como agir, tínhamos brigado há pouco tempo. Como costumamos fazer, nesses tempos. Conversa vai e conversa vem, ela acabou se desculpando, e eu também. Já estávamos bem denovo..
E estando com ela, o tempo até o show voou. E já estávamos lá, e já havia começado, e já havia terminado. E na saída.. Lá estava ele. O algoz adversário. Não que eu guarde rancor de todos que já encostaram nela, mas esse cara implicou comigo mesmo. Ele foi longe demais, e cometeu o tipo de erro que eu não perdôo. Mas assim como ele, sei encenar. O tempo passou rápido na volta para casa, estávamos exaustos. Chorei e tive pesadelos.
Acordei tarde na sexta. Saímos para ir no cinema, para pela primeira vez, ver um filme. O primeiro filme que vimos por completo. Ele falava sobre ver o futuro, e muda-lo tendo em vista o que se viu. Eu não poderia ter achado mais próprio. Conversamos, jantamos e caminhamos, ela inocente, eu em silenciosa devoção. Fomos em uma apresentação de stand-up comedy, e rimos juntos por uma hora, ótimo para esquecer todos os problemas.. Voltamos para a casa, estávamos exaustos. Chorei e tive pesadelos.
Sábado se arrastou. Fez questão de me sugar por inteiro, me fazendo passar pelo papel de peru, morrendo na véspera. Eu admirei aquele corpo dormindo durante trinta minutos. E em cada peculiaridade, vi o paraíso. Fomos para a tal casa noturna, que ao notar minha presença, começou a tocar Deception, do Crüxshadows. E lá estava ele novamente, mas contive meus sentimentos. Sou, em primeiro lugar, um cavalheiro em frente à damas. Conversei com um grande amigo, enquanto os dois haviam “saído para conversar”. Duas cubas e uma farmácia depois, e eu estava chorando a minha vida em um canto. Ela apareceu.. Parecia tão sozinha. Parecia que era minha.. Desabafei, e disse tudo que eu não devia, mas queria falar. Depois piorei. E piorei. E depois de um tempo, a noite não fez mais sentido. Nem a vida. Eventualmente fomos levados devolta à casa, exaustos. Chorei e tive pesadelos.
Domingo foi um dia frustrante. Saímos, para ficarmos em silêncio a maior parte do tempo. Tentei agir naturalmente.. Acho que consegui. Nos divertimos como antigamente, uma nostalgia desnecessária. Saímos para jantar, estava ótimo.. Mas no final do dia, exaustos, dormimos. Antes, chorei e tive pesadelos. Acordei às 4 da manhã, chorei. Acordei às 8 da manhã, chorei. Acordei ao meio dia, chorei.
Acordei às 13 horas de segunda, meu último dia. Tomei banho e comecei a escrever uma carta, para que ela visse quando eu já tivesse ido embora. Algo com pedidos de desculpas e amores. Mas ela chegou, e eu larguei-a lá, incompleta. Nos divertimos a tarde toda. Nos divertimos como quando namorávamos. Como quando o amor era recíproco. Até a hora de partir para o aeroporto, e ser levado pela onda de angústia. Em um momento a sós, ela me disse:
– Vou sentir saudades.
– Eu também, é ótimo ouvir isso.
Me despedi de sua mãe. Foi breve. E um último abraço e beijo na bochecha dela, que, por Deus, poderia ter durado eternamente. Saí da visão, acabado. Desabafei durante sabe-se lá quanto tempo com um grande amigo. Embarquei no avião e desfaleci. Depois de mais alguma encenação para meus pais, vim aqui. Passei um tempo tentando esquecer tudo isso. Inútil. Estou exausto.. Algo me diz que eu não precisarei viver para saber como serão os próximos dias. Minhas piores suspeitas revelaram-se verdadeiras. Ainda amo a guria que eu não posso ter.
Já vimos tudo isso antes.
O tempo passa e criamos conceitos. Conceitos das mais diversas naturezas: sobre certo e errado, bonito e feio, amor e ódio. Memorizamos o que devemos odiar e desprezar, o que devemos amar e idolatrar. Repetimos estas mensagens inconscientemente por uma eternidade.. De fato, pois o natural é a mudança de nossos conceitos com o passar do tempo.. O que, por acaso, dificilmente acontece. Ou acontece, de uma forma difícil e dolorosa. Falo em com minha própria vivência em base, mas quem não amou, deixou de ser amado, e não conseguiu esquecer? Por mais que quisesse, por mais que todos dissessem: “Get over it.”. Mentia para mim mesmo, enganava meu próprio ser. Quem nunca enganou a si mesmo, para dias depois voltar a chorar, pelas causas perdidas?
Vivemos em tragédia. Não fosse isso, a vida seria chata. Não pode existir prazer sem dor, afinal, como saberíamos apreciar os belos momentos se não conhecessemos os terríveis?
//Feedback: Aos responsáveis pelo aumento diário nas visitas, muito obrigado por se interessarem no (pouco) que eu escrevo aqui. :) E me desculpem pelas atualizações inconstantes, mas é que as boas idéias só vem na merda.
